
Também não falta no bairro a proteção divina. Já a proteção humana anda sendo um dos pedidos mais freqüentes de seus moradores, e mesmo assim um dos menos atendidos, e por negligência humana que vê o desenvolvimento no crescimento econômico da região sem lembrar que o desenvolvimento social faz parte essencial do processo.
No século XVIII, então conhecida como Quarteirão da Senhora das Mercês, uma região pouco urbana, as Mercês ainda conservava um ‘clima’ típico da época: o clima da segurança. Não eram preocupações as portas ou janelas abertas, ou filhos brincando fora de casa.

Hoje, tanto comerciantes como residentes do bairro, colocam a segurança de seus familiares e de seus lares, de seus negócios e pertences, em primeiro lugar. Crianças não brincam mais fora de casa, janelas e portas permanecem fechadas, trancadas e de preferência vigiadas por câmeras e cerradas por grades.
Na época do Quarteirão, seus habitantes se conheciam e se protegiam mutuamente. Muito diferente da atualidade, na qual seus moradores mal se conhecem, e pouco podem fazer para se proteger.
O benefício, no entanto, sempre foi uma questão
Hoje o bairro conta com hospitais e clinicas de renome e um sistema de transporte que facilmente pode levar ao centro da cidade. Conta com um número elevado de escolas, cursos técnicos e de língua estrangeira... Mas isso não para o acesso de todos. O bairro não conta, por exemplo, com um posto de saúde próprio para a região, ou com uma creche pública para as crianças.Na época do Quarteirão, já era difícil para um habitante com alguma necessidade médica chegar aos lugares de atendimento. O deslocamento até o centro da cidade era complicado e demorado. Era uma época em que possivelmente ainda se contava muito com visitas médicas a domicilio, em geral para os mais abastados.
Pelo que eu vivi e ouvi no bairro, percebo que, desde que o bairro cresceu e se desenvolveu economicamente, ele simplesmente perdeu a proteção da qual falamos, e junto com esta perda também foram nossa liberdade, nossa convivência e nossa história.
É hora de conhecer um pouco mais da história e do lugar onde vivemos e das pessoas com quem convivemos, e de sonhar um bairro com graça, mais proteção e benéficos. É hora de lutar por um objetivo comum!
Participe do desenvolvimento do seu bairro! Não sabe como?
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